Eu estou tentando, estou tentando, tateando meu próprio rosto pra não esquecer quem eu fui. Eu queria poder entregar minhas memórias a alguém que entendesse da alma. Alguém de alma formada e coração profundo. Coração profundo é para poucos. O que me aconteceu acontece em tantas esquinas que quase não fui capaz de achar palavras para esse sentimento. Minha linguagem não é nada perto de um sentimento, e por isso escrevo com a cautela de quem quer contar um segredo sem perder o brilho dos olhos de quem vai escutar. Isso não é um segredo, são memórias. E pra escrever sobre quem eu fui preciso esquecer o eu que está morando na minha alma hoje em dia. Como toda mulher que um dia dilacerou o coração por um amor, eu também tenho medo de esquecer. Eu quero ser muito verdadeira, e por isso vou parar se perceber que minha imaginação está tomando lugar do que tem que ser transparente.
Eu não sinto que tenha perdido alguma coisa porque nunca possuí coisa alguma. Mas sinto uma tristeza arrebatadora em certos momentos e é essa tristeza é que me leva de volta as memórias.
Não estou sendo mais tolerante com as pessoas mornas. Eu não posso aceitar os sem-vida, os sem-rosto, os uns na multidão. Não sei se é egoísmo da minha parte, mas não deixo mais ninguém entrar no meu universo sem que antes me mostre toda a sua entrega.
Todos temos fases, cheguei numa que não mais me permito desilusões. Bem inútil da minha parte, já que a minha de certa forma e movida a este tão impiedoso combustível, no entanto não deveria me lamentar pois foram com bofetadas que hoje sou o que sou; mesmo longe da metade dos degraus da chegada gloriosa de ser um eu completo. Sinto que seria apenas pó sem tais aprendizados e feridas que apesar de tudo ainda se abrem com lembranças pouco distantes.
Confusa eu sempre fui nas palavras, então talvez seja melhor colocar um ponto nesse raciocínio antes que me perca . Eu não quero entrar em nenhum labirinto, e como não estou me sentindo mais segura, vou parar por aqui.
T.T


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